Você gostaria de saber mais cobre como acudir um pet que tenha sofrido algum acidente, então esse post é para você.

Imprevistos acontecem, mas é preciso estar preparado

Por mais cuidadosos e atentos que estejamos, nossos pets sempre estão suscetíveis a sofrerem acidentes e dos mais diversos. Choques elétricos, queimaduras, cortes e perfurações (inclusive por brigas com outros pets), atropelamentos, fraturas e etc. são alguns dos acidentes mais comuns na vida dos bichos, mas nem todos eles precisam ser graves ou terem consequências fatais. Um tutor bem preparado, com kit de primeiros socorros e uma boa noção de como prestar ajuda ao pet, pode ser o diferencial entre ele chegar no hospital veterinário a tempo de ser salvo ou não.

Primeiros socorros não é solução definitiva

Antes de mais nada é importante saber a importância dos primeiros cuidados no caso de um acidente, eles fazem toda a diferença no estado em que o paciente (seja humano ou pet) chega ao hospital. Por outro lado, é importante dizer também que os primeiros socorros não substituem o cuidado por um profissional em um local preparado para atender o pet. Se o seu peludo sofreu algum acidente e você conseguiu minimizar os danos e estabilizar sua condição, leve-o ao veterinário da mesma forma. É justamente nesses momentos de sustos e imprevistos que um bom plano de saúde pet vai te ajudar.

Estado de choque, a primeira avaliação

Independente de qual seja o ocorrido, procure perceber se seu pet entrou em estado de choque, ou seja, que o sangue não está chegando de maneira adequada para os órgãos.

Sintomas: temperatura do corpo baixa (principalmente nas extremidades como patas e orelhas), batimentos cardíacos acelerados, respiração acelerada, pode ou não haver perda da consciência, palidez (especialmente na gengiva).

Como proceder: Mantenha o pet deitado de lado e preferencialmente de modo a ficar com a cabeça um pouco mais baixa do que a parte posterior do corpo, isso ajudará o sangue a chegar no cérebro e no coração. Aqueça o pet, enrole-o em um cobertor limpo e coloque uma bolsa térmica (preferencialmente no abdômen) ou garrafa de água quente. Coloque a língua do seu pet para fora por um dos lados da boca, de modo a deixar livre as vias aéreas dele e facilitar a respiração. Trate e tente estancar quaisquer hemorragias.

Parada cardíaca ou respiratória

Seu pet pode sofrer por essas duas condições juntas ou separadamente.

Sintomas: O pet não está executando os movimentos respiratórios e ao encostar no lado esquerdo do tórax do pet não é possível sentir os batimentos cardíacos.

Como proceder: no caso de parada cardíaca, deite o pet sobre o lado direito e coloque a palma da mão sobre o coração do animal, então faça uma pressão firme sobre o peito do paciente e solte, uma vez a cada segundo. No caso de gatos ou cães pequenos você pode usar os dedos para fazer a massagem. Repita o processo por um minuto e observe se os batimentos naturais do pet foram retomados.

No caso de parada respiratória, feche bem o focinho do seu pet e deite-o de lado, então encoste a boca nas narinas do animal (você pode usar um tecido fino, como um lenço, para evitar o contato direto) e sopre até o peito do pet se inflar. Em seguida, gentilmente pressione o peito do animal para provocar a saída do ar. Repita o processo entre 8 e 10 vezes por minuto e verifique se ele voltou a respirar por conta própria, caso contrário retome a respiração artificial.

Se seu pet sofrer uma parada cardiorrespiratória e você tiver que fazer a massagem cardíaca e a respiração artificial ao mesmo tempo, faça uma respiração a cada 5 ou 6 pressões cardíacas. Se possível se reveze com alguém quando começar a se cansar. Em casos onde esses procedimentos se estendam por mais de meia hora sem sucesso, infelizmente é raro que o paciente sobreviva.

Fraturas

Nossos pets tendem a ser muito exploradores e ativos e essas características as vezes podem render algumas fraturas. Atropelamentos, trombadas e quedas são alguns dos motivos mais comuns para o aparecimento de fraturas em animais.

Como proceder: O importante é não tentar colocar o osso fraturado no lugar, se você se sentir seguro para tal, pegue um papelão rígido ou outro material que possa ajudar a imobilizar o local fraturado e use junto com algumas ataduras de gaze. Caso você não saiba como proceder para imobilizar o local ferido, não mexa. Apenas improvise uma maca com algum papelão ou pedaço maior de madeira e transporte o pet para o veterinário, onde ele será examinado e tratado. Caso haja hemorragia, tente estancar o sangramento enquanto transporta o pet para veterinário.

Hemorragia

Hemorragia é a perda de sangue por conta de perfurações, cortes ou fraturas. Elas podem ser leves e superficiais, profundas ou internas.

Identificando: hemorragias externas são fáceis de se identificar por se visualizar o sangue, procure analisar se o corte foi superficial ou mais profundo e especialmente se algum vaso sanguíneo foi atingido. Hemorragias internas são invisíveis, mas extremamente perigosas, então se o seu pet sofreu algum acidente e começar a perder temperatura corporal e ficar com a gengiva e a redor dos olhos pálidos ele pode estar com alguma hemorragia interna.

Como proceder: antes de mais nada, não se desespere com o sangue. Alguns cortes, mesmo superficiais, podem sangrar bastante (orelhas são um bom exemplo disso). Aplique um pano limpo ou gaze sobre o local e pressione levemente até estancar o sangramento e então avalie com mais calma a profundidade do ferimento. Encaminhe o pet o mais rápido possível para o veterinário para tratamento e sutura da ferida, se não for possível fazê-lo imediatamente limpe e desinfete o local com água oxigenada e mantenha o local com um pano limpo ou gaze para evitar as moscas (que poderiam por ovos e provocar a miíase, se possível passe um repelente indicado para esse tipo de situação).

Caso o corte tenha atingido algum vaso sanguíneo não será possível estancar o sangramento e o indicado é que além do pano limpo e pressão, seja feito um torniquete (apenas em patas ou cauda) com algum barbante, cordão ou até mesmo um cadarço. O torniquete interromperá o sangramento imediatamente, mas deverá ser aliviado a cada 15 minutos e deve-se tomar cuidado para não apertar demais para não gangrenar.

No caso de suspeita de hemorragia interna, trate o pet como explicado acima em estado de choque e leve-o com urgência ao veterinário.

Choque elétrico

Não é nem um pouco incomum ouvir histórias de pet roendo fios pela casa e é nesse tipo de caso que ocorre a maior parte dos choques elétricos em animais. As consequências no pet podem variar de um simples susto até uma parada cardiorrespiratória e queimaduras muito graves.

Como proceder: antes de mais nada, se o pet levou o choque elétrico e ainda está em contato com a fonte de eletricidade, desligue o fio ou toda a rede elétrica. Nunca toque em uma pessoa ou animal que ainda esteja em contato com a fonte da descarga elétrica ou você provavelmente também receberá o choque. Caso o pet tenha recebido a descarga, porém não permaneceu em contato com a fonte elétrica, avalie se ele está consciente ou não e se sofreu parada cardiorrespiratória, caso tenha sofrido a parada proceda como indicado anteriormente neste post. Caso não haja parada cardiorrespiratória, procure por queimaduras no local da descarga (comumente boca e língua do pet, caso ele tenha mordido o fio), a região pode ficar acinzentada ou escurecida. Queimaduras na parte interna da boca não têm muito o que possa ser feito, mas se houver danos na parte externa limpe o local com soro fisiológico frio e passe pomadas antibióticas e cicatrizantes. É possível o surgimento de edemas pulmonares em até algumas horas após o choque elétrico, portanto o pet deve ser observado.

Caso seu pet tenha sofrido queimaduras na boca e língua ele pode se recusar a comer e beber água. Ofereça alimentos mais líquidos e pastosos, preferencialmente frios, para o seu pet e se ele estiver impossibilitado de comer o tratamento com soro intravenoso deve ser indicado para evitar a desidratação do animal.

Queimaduras

Acidentes com comidas quentes, choques elétricos e produtos químicos podem resultar em queimaduras em seu pet e é importante entender o que evitar fazer nesses casos. As queimaduras podem ser separadas em três graus diferentes, de acordo com a severidade. Se não há formação de bolhas ou perda de pelos, trata-se de uma queimadura de primeiro grau, caso haja a presença de bolhas ou a queimadura tenha sido grave a ponto de fazer caírem os pelos do pet, é uma lesão de segundo grau. No caso de queimaduras de terceiro grau, toda a espessura da pele é destruída e essa é uma ferida bastante dolorosa e de cicatrização muito lenta.

Como proceder: no caso de queimaduras de primeiro e segundo grau, deve-se lavar a região com soro fisiológico frio e passar pomada cicatrizante e antibiótica no ferimento, colocar uma bandagem de gaze no pet e levá-lo ao veterinário. No caso de lesões de terceiro grau é indicado apenas lavar o local da ferida, pois em virtude da dor excessiva no local da queimadura o pet deverá ser tratado apenas sob efeito de tranquilizante pelo veterinário.

Não aplique produtos como vinagre, pasta de dente e outros sobre a queimadura. A pele é a barreira natural do corpo e uma pele fragilizada estará particularmente vulnerável a esses produtos caseiros.

É possível também que seu pet sofra queimaduras por conta de sol ou chão muito quente, portanto evite expor seu pet ao sol forte (especialmente aqueles com pelo mais claro e região rosada em focinho e orelhas), verifique a temperatura do chão quando for passear e em dias mais ensolarados passe protetor solar apropriado no seu pet.

Intoxicação e envenenamento

Temos em casa diversas substâncias e até plantas que podem fazer mal para o nosso pet e certamente devem ser mantidas fora de alcance de crianças e animais.

Como identificar: cada substância tóxica para o pet possui sintomas diferentes, mas as principais características a se observar são diarreia, vômitos, alterações na pupila, prostração, convulsões e outros sinais neurológicos (como baixa coordenação e mudança súbita de comportamento). Muitas substâncias podem prejudicar o animal mesmo se absorvidas apenas pela pele (como produtos contra pulgas e carrapatos, inseticidas e etc.), outras precisam ser ingeridas e algumas delas podem até mesmo ser alimentos comuns da dieta humana.

Como proceder: se você não tem ideia do que foi ingerido e pode estar intoxicando seu pet, não é indicado estimular o vômito, pois substâncias cáusticas causam grande irritação e estimular o vômito pode piorar esse quadro. Caso você tenha uma boa suspeita e não se trate de um desses produtos que causem queimaduras na boca e esôfago do animal, você pode dar de 5 a 10ml de água oxigenada (3%) ou água morna com sal de intervalos de 5 a 10 minutos para estimular que o pet vomite e possa expelir parte da substância que ingeriu. Uma outra medida eficaz de acudir o animal é administrar uma solução de água e carvão ativado ao pet, mas apenas se realizada logo após a ingestão do tóxico (o carvão tende a se ligar às substâncias tóxicas e evita a absorção pelo organismo).

Leve o pet e a embalagem do produto que você suspeita que ele tenha ingerido ao veterinário com urgência, tenha você induzido o vômito ou não. O profissional deverá proceder com uma lavagem gastrointestinal e indicar como o tutor deve proceder, além de manter o pet em observação.

No caso de suspeita de envenenamento criminoso, serão feitos exames de urina, sangue e excreções no pet, caso ocorra o óbito serão recolhidos também fragmentos de alguns órgãos para análise. O perito precisará dessas informações para emitir um laudo e concluir se houve crime.

Mantenha a calma sempre

É importante lembrar que um animal com dor pode tentar te morder ou arranhar, por mais dócil que ele seja, portanto é recomendável colocar a focinheira em cães maiores e se possível ter alguém para ajudar a segurar o pet enquanto você cuida dos primeiros socorros.

Tão importante quanto saber o que fazer é manter a calma e tentar também manter seu pet calmo ao socorrê-lo, ter o kit de primeiros socorros a postos e os contatos do veterinário e hospital onde ele poderá ser atendido também serão de grande ajuda. Você pode fazer a diferença e salvar um animalzinho que tenha sofrido algum acidente ao acudi-lo corretamente e encaminhá-lo ao veterinário.

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