Preocupado com a possibilidade de seu pet ser picado por algum bicho peçonhento e você não saber como agir? Esse post é para você.

Nem tudo que é venenoso é peçonhento

Existe uma série de planas e animais que produzem substâncias tóxicas que chamamos de veneno, seja como modo de defesa ou captura de alimento, mas nem todos eles são considerados peçonhentos. Animais considerados peçonhentos são aqueles capazes de inocular ativamente seu veneno na vítima, como cobras, aranhas, escorpiões e algumas espécies de abelhas e vespas. As vezes nossos pets, por sua natureza curiosa, acabam se metendo em problemas com algum desses bichos e é importante saber como agir em situações como essa. No Brasil os maiores perigos são as picadas de cobras, especialmente jararacas, cascavéis, surucucus e corais ou algumas aranhas.

Identificando o problema

Picadas de animais peçonhentos tendem a ser bastante dolorosas e devem deixar as marcas das presas (no caso de cobra) ou um apenas um forte inchaço (no caso de aranhas e escorpiões). Conseguir identificar o animal que picou seu pet pode fazer toda a diferença na hora de lidar com o problema, então se perceber que seu cão ou gato foi picado por um bicho procure com atenção e tente guardar o maior número de características do animal. Se possível tente capturar o animal, mas sempre com bastante cuidado para não ser picado também e só faça isso se estiver completamente seguro de conseguir sem se expor a riscos desnecessários. Muito cuidado com cobras, mesmo mortas, pois elas são capazes de mordidas reflexivas por bastante tempo depois de abatidas.

O que não fazer!

Muito importante nessas horas de apreensão é manter a calma e evitar algumas atitudes que muitas vezes só pioram a situação. Tente manter seu pet calmo também e evite que ele se mova demais, isso pode acelerar os efeitos da picada.

Não corte ou perfure o local da ferida, e muito menos tente sugar o veneno, alguns venenos podem ter propriedades hemorrágicas e cortar a ferida agravaria o quadro.

Não faça torniquete no pet (nem em humanos) com o intuito de evitar que o veneno se espalhe. Essa atitude era utilizada até pouco tempo atrás, mas é contraindicada porque a alta concentração de veneno pode aumentar a chance de gangrenas no local da ferida.

Não coloque remédios caseiros na ferida. Vinagre, pó de café, cinza e etc. são contraindicados e além de serem ineficientes podem infeccionar a ferida. Evite lavar com água também, pois seu veterinário pode querer fazer exames no local da picada para tentar identificar o veneno.

Veterinário já!

Se seu pet foi picado por cobra, aranhas e insetos leve-o ao veterinário o mais rápido possível, mesmo se o bicho em questão não for peçonhento. Mordidas de cobras e picadas de insetos podem infeccionar e tendem a inchar bastante, portanto leve o pet ao veterinário sempre que ele sofrer um desses acidentes. Se tiver capturado o animal que o picou, leve-o junto consigo para que o veterinário possa identificá-lo e administrar o tratamento mais adequado. No caso de cobras ele deve fazer uso do soro antiofídico polivalente veterinário, que contém soro contra o veneno de jararaca, cascavel e surucucu. Um pet que não apresente sintomas após a picada deve ficar em observação por 12 horas e um que tenha manifestado sintomas deve ser medicado e ficar em observação por 72 horas.

Sem patas

A maioria de casos de picadas de cobras em gatos é na região do abdômen e em cães ocorre no focinho e patas, em geral porque o cachorro tenta cheirar ou morder a serpente, casos com gatos são mais raros. Onde existir uma grande concentração de ratos, possivelmente deve haver cobras se o local for propício, portanto muito cuidado ao passear com os pets.

Cascavel: a mais fácil de se identificar das cobras, por conta de seu chocalho na ponta da cauda, é responsável por aproximadamente 7% dos acidentes ofídicos com humanos. Pode chegar a medir 1,80m. Seu veneno tende a atacar o sistema neurológico, o pet vai ter confusão na visão (andar como se estivesse tonto), dor muscular e apresentar a urina avermelhada ou escurecida. Pode evoluir para complicações renais.

Surucucu: responsável por aproximadamente 1,5% dos incidentes em humanos, as surucucus são cobras grandes que vivem em região amazônica e podem atingir até 4,5m de comprimento. Seu veneno tende a causar diarreia, vômitos e sangramentos.

Jararaca: a campeã de incidentes em humanos, a jararaca é responsável por 90% dos casos. Essa cobra possui várias espécies e se distribui em todas as regiões do Brasil, alcançando até 2m. Seu veneno causa bastante dor, inchaço bastante evidente com manchas na pele e sangramento no local da picada. Em quadros mais agravados é possível haver o aparecimento de bolhas ou abcesso no local da picada e insuficiência renal.

Coral: com a peculiar aparência vermelha e preta é fácil de se reconhecer a cobra coral, mas também é fácil de confundi-la com a falsa coral, que não é venenosa. Essa cobra possui um veneno muito potente, capaz de matar em minutos e vivem escondidas em tocas, mas podem aparecer em situações de inundação. Os sintomas do veneno da coral incluem quadros neurológicos como falta de ar, dificuldade em respirar, em abrir os olhos e em engolir.

Muitas patas

Insetos e aracnídeos são uma fração menor de incidentes, mas alguns desses também possuem um veneno muito potente, então é melhor sempre estar atento.

Aranhas: tarântulas, caranguejeiras, aranha-armadeira e aranha marrom são as principais envolvidas em acidente com pets. A aranha-armadeira possui um dos venenos mais potentes do mundo animal e a picada aranha marrom causa necrose em uma grande área ao redor da picada, portanto cuidado redobrado com essas duas.

Escorpiões: Casos com escorpiões não costumam ser fatais, geralmente envolvendo o escorpião imperial (preto) e o escorpião amarelo.

Algumas abelhas e vespas também podem causar reações graves nos pets, seja por toxinas ou reação alérgica, portanto não deixe de levar o peludo ao hospital se ele for picado por uma dessas.

Atento, mas sem pânico

É importante saber que existem esses perigos para seu pet em alguns lugares onde você pode fazer alguns passeios, mas deixar de passear com seu bichinho por medo excessivo não é uma boa forma de evitar esses acidentes. Procure saber se houve ataques frequentes de alguns desses animais peçonhentos nas regiões onde você leva o pet para passear e se informe sobre a ocorrência desses bichos em sua região, assim você pode ficar mais seguro e tranquilo a respeito de quais desses animais pode realmente ser um problema na sua região. Fique seguro, mas não deixe de se divertir com seu pet.

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