Curioso para saber como é a seleção e a função de um cão-guia? Confira nesse post sobre como esse peludo muito bem treinado ajuda na vida de pessoas com deficiência visual.

Olhos na ponta da coleira

Se você já viu algum cão-guia trabalhando então já percebeu que o pet não brinca em serviço e executa com maestria sua função de conduzir seu acompanhante durante o dia a dia. Esses cães possuem um treinamento tão rigoroso que aprendem até a desobedecer a ordens (sério!) e, além disso, são grandes companheiros de seus acompanhantes.

Essa carreira começa cedo

Os cães-guias são selecionados e treinados desde filhotes para desempenharem essa função. Os centros de adestramento aptos a esse tipo de treinamento frequentemente já começam a observar características como inteligência, temperamento e saúde do pet desde os primeiros meses de vida, e apenas aqueles que se mostram excelentes em todos esses quesitos receberão o treinamento para cão-guia. É função dessas ONG’s também encontrar o par mais adequado de cão e acompanhante, além de decidir quando o cachorro deve ser aposentado de suas funções de guia e encontrar um lar para depois de aposentado.

Quais as principais raças de cães-guia?

Para ser um cão-guia o cachorro precisa ser sociável, inteligente, obedecer muito bem a comandos e ser forte (afinal ele deve conduzir um humano adulto). Dentre as raças caninas com essas características, as que se destacam ao desempenhar esse papel são o Pastor Alemão, o Labrador e o Golden Retriever, cada um com suas peculiaridades em relação a tomada de decisões e grau de agitação.

Tomada de decisões? Como assim?

O trabalho do cão-guia é conduzir seu acompanhante no dia a dia, desviando de obstáculos, avisando sobre escadas e subidas/descidas íngremes, pegar elevadores e o transporte público. Para desempenhar essa função, o pet vai precisar tomar muitas decisões ao longo do dia e as raças (e indivíduos) podem se comportar de maneira diferente nesse ponto. Treinadores e acompanhantes relatam que algumas raças identificam obstáculos com uma grande distância e já fazem pequenas mudanças de percursos muito antes de alcançar o obstáculo em si, enquanto outras esperam estar mais próximos para “lidar” com o problema e ajustam o curso de maneira mais brusca, contando que o humano possa acompanhá-lo e por fim existem os pets que parecem parar para “calcular a melhor opção” em algumas situações. Isso não necessariamente tem a ver com a inteligência do pet, apenas é uma característica da raça ou do indivíduo, mas pode ser um fator para decidir se aquele cão-guia é adequado a acompanhar determinado grupo de deficientes visuais. Um labrador que faça viradas bruscas pode não ser adequado a acompanhar uma senhora que não vai se adaptar às súbitas mudanças de movimento do pet, mas não seria um problema para uma pessoa mais jovem e ativa.

Parte do treinamento

Como dito anteriormente, o adestramento do cachorro para se tornar um guia começa bem cedo e já a partir das quatro semanas esses pets começam a ser observados e selecionados, principalmente por seu perfil de comportamento. Os filhotes são expostos a diversas situações, como novos cheiros, barulho, mudanças climáticas, pessoas e novos ambientes, além de serem ensinados a andar com a coleira, sentar e buscar por determinados elementos sob comando. O treinamento desse pet raramente envolve a recompensa com guloseimas, justamente a fim de evitar que ele se distraia com coisas relacionadas a isso.

A partir dos três meses começam a serem testadas as reações do cãozinho com veículos em movimento, mudanças de casa, obstáculos pendurados e pedestres. Isso é uma parte importante na seleção do pet, pois ele deve ser capaz de entender que seu caminho está obstruído e conseguir tomar decisões para alterar o caminho para desviar de obstáculos, sejam eles seres vivos, veículos ou arquitetônicos. Uma outra parte importante é garantir que o pet não vá assumir uma postura de defender o seu acompanhante de maneira desnecessária, especialmente porque o cão será exposto à um grande número de pessoas.

Com um ano de vida o pet começa seu treinamento definitivo para se tornar um cão-guia. Ele aprende a usar o arnês que servirá de principal contato entre ele e o acompanhante e aprenderá as principais formas de conduzir o acompanhante, ou seja, virar para a direita e esquerda, parar em escadas e outras subidas/descidas íngremes, atravessar a rua, deixar o conduzido próximo aos botões do elevador, desviar de obstáculos, deitar-se e ficar em silêncio quando o acompanhante se sentar, desobedecer ordens de maneira inteligente (para evitar pôr o dono em confusões) e, por último, utilizar o transporte público e ficar quieto.

Não é só o pet que recebe treinamento

O acompanhante também passa por um período de treinamento e adaptação com o cão-guia. Ele deve aprender a dar os comandos corretos para o pet e entender a forma que o cão tem para guiá-lo. Ambos devem “se formar” juntos no centro de treinamento e infelizmente nem todos os pets (mais de 20%) passam no teste final. Esses cães que acabam reprovados para serem guias geralmente são encaminhados para ambientes de terapia com pet ou encontram lares onde levarão uma vida como qualquer outro pet.

Quais as obrigações do deficiente para conseguir um cão-guia

O interessado deve entrar em contato com uma ONG responsável e especializada. Infelizmente os dados acerca desse assunto são preocupantes: segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, existem mais de 5,4 milhões de pessoas com deficiência visual no pais, mas as filas de espera para a obtenção de cão-guia possui mais de 2 mil solicitantes e apenas 70 pessoas, possuem um desses pets tão amáveis e uteis.

Os critérios para se obter um cão-guia podem variar, mas as principais exigências são: o solicitante deve estar legalmente cego; possuir boa saúde física e mental; ser capaz de cuidar do animal, com comida e alojamento adequado; querer o cachorro para propósitos de mobilidade.

Não perturbe o pequeno trabalhador

Os cães guias recebem grande treinamento para ignorar distrações e obedecer aos comandos verbais de seu acompanhante, mas sabemos que distrações podem acontecer durante nosso trabalho e com o pet não é diferente. Evite mexer, oferecer coisas ou chamar a atenção do cão-guia de qualquer forma, lembre-se que ele está cuidando do seu acompanhante e seu trabalho deve ser respeitado.

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